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Alegria como forma de cuidar: Terapia complementar dentro da Medicina Tradicional

82-2023


Ivana Antunes1*; Nicole Rodrigues Cardoso 1; Letícia Flores Nunes1; Ingrit Johana Rojas Medina21. Faculdade de Medicina Santa Marcelina, Acadêmicosde Medicina. 2. Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Pós-graduação em Bases de Saúde Integrativa e Bem-Estar Estudos Avançados, Professora associada


Brazilian Medical Students Journal I v.8 n.11, 2023





INTRODUÇÃO:

Os ensinamentos de Hipócrates, pai da Medicina Ocidental, são conhecimentos medicalizantes do cuidado e promoção da saúde. Assim, visando complementar os seus ensinamentos, esse trabalho tem como objetivo relatar os conhecimentos adquiridos por meio do evento “Alegria como forma de cuidado”, no qual foram mostradas cinco diferentes formas de cuidado: a terapia assistida por animais, palhaçoterapia, arteterapia, contoterapia e terapia do som, sendo elas pautadas na Medicina Integrativa e nos benefícios das múltiplas práticas centradas no paciente, com enfoque na escuta acolhedora e desenvolvimento de vínculo terapêutico.


RELATO:

O conteúdo do evento, cinco palestras ministradas por diversos profissionais, se baseou na necessidade de complementação de terapias presentes na grade curricular de medicina, pautada majoritariamente na medicina ocidental, e teve como principal público-alvo estudantes de medicina. Quanto à ins-crição, foi promovida a partir de um formulário e divulgada nas redes sociais. Sua realização deu-se a partir da parceria estabelecida entre os estudantes da Faculdade Santa Marcelina associados a International Federation of Medical Students Association of Brazil (IFMSA) e a Liga Acadêmica de Medicina Integrativa (LAMI) dessa mesma faculdade.


DISCUSSÃO:

A Medicina Integrativa cresce no ocidente ainda que o modelo médico tradicional não abranja outras formas de cuidado e a visão integral do paciente, que vai além da doença em si. Nesse sentido, e com respaldo médico-científico, a Medicina Integrativa apresenta destaque positivo em pesquisas, principalmente por conta dos benefícios de tais práticas, sendo utili-zada atualmente no Sistema Único de Saúde (SUS), onde essas condutas são oferecidas gratuitamente devido a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC).


CONCLUSÃO:

O evento foi capaz tanto de infor-mar adequadamente aos participantes que, apesar das limitações enfrentadas por ser um evento online, mostraram-se inte-ressados no assunto, como de destacar a necessidade de utilizar os inúmeros benefícios das diversas terapias existentes na Medicina Integrativa. PALAVRAS-CHAVE:Medicina Integrativa; Promoção da Saúde; Política Nacional de Saúde; Qualidade de vida.


INTRODUÇÃO

A arte do cuidar transcende os ensinamentos de Hipócrates e se molda para atender as necessidades da sociedade. Assim, nota-se o movimento de criação de novas estratégias no pa-drão biologizante e medicalizante do cuidado e promoção da saúde1. Nesse cenário, tem-se o fortalecimento de práticas que reconhecem a alegria como uma das formas de cuidado e o seu potencial para complementar o tratamento medicamen-toso ao que o paciente está submetido. Visto isso, o presente relato de experiência abordará cinco diferentes formas de cui-dado apresentadas na palestra “Alegria como Forma de Cui-dado”: terapia assistida por animais, palhaçoterapia, artetera-pia, contoterapia e terapia do som


A terapia assistida por animais consiste na interação entre uma população alvo e um animal, com o objetivo de melhorar a qua-lidade de vida do paciente. A terapia é direcionada a critérios específicos e é desenvolvida entre o paciente, o profissional de saúde, o animal e seu treinador2. A palhaçoterapia faz do hospital um lugar mais humanizado e propício para a recupe-ração da saúde. Os benefícios são múltiplos, como a redução do medo e da ansiedade diante de procedimentos médicos, mudanças na perspectiva dos profissionais de saúde e ressig-nificação do ambiente hospitalar.


A arteterapia visa a exploração do processo de livre criação dos pacientes, elevando sua autoestima e equilíbrio emocional, estimulando a coordenação motora e estabelecendo relações interpessoais com as produções em equipe4. A contoterapia é um braço da arteterapia. Ela leva ao hospital a magia da exploração da mente, empodera os pacientes ligando os sonhos com a vida real, estimula a memória e a capacidade de guardar informações de forma organizada 5 . A terapia do som utiliza diferentes sinais e vibrações para melhorar a saúde física e emocional dos indivíduos que se submetem a ela. Essa prática utiliza a vibração do som para obter alterações fisiológicas no organismo do pacientes .


Assim, tais práticas evidenciam como a alegria é uma das formas de promover o cuidado e seus resultados positivos mostram que ela veio para substituir o sistema curativo, focado apenas na doença, por um mais integralizado, que identifica o indivíduo como um ser que necessita de múltiplos cuidados. Dessa forma, esse tema se mostra relevante na atualidade e ganha destaque neste trabalho.


Nesse sentido, o presente relato de experiência tem por objetivo difundir os conhecimentos sobre os assuntos abordados no evento "Alegria como Forma de Cuidado" e, assim, mostrar os benefícios das múltiplas práticas centradas no paciente, com enfoque na escuta acolhedora e desenvolvimento de vínculo terapêutico.


RELATO DE EXPERIÊNCIA

No dia 06/11/2021, foram realizadas pelo comitê local, com posto por estudantes de medicina filiados a International Federation of Medical Students Associations of Brazil (IFMSA Brazil), em parceria com a Liga Académica de Medicina Integrativa da Faculdade Santa Marcelina, palestras sobre as diferentes formas de cuidado baseadas na alegria, seja por meio do contato com animais, do uso da imaginação, da fantasia, de habilidades artísticas e atividade motora, de brincadeiras e também do uso das vibrações sonoras.

Tais palestras foram pensadas com o objetivo de informar e sensibilizar nosso público-alvo - estudantes de medicina - sobre técnicas de medicina integrativa, amplamente benéficas para os pacientes, tanto que algumas são utilizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS7 . Contudo, essas metodologias permanecem pouco exploradas no meio médico devido à medicina ocidental ser focada na doença e não no cuidado integral do paciente, que prioriza não só o corpo, mas também a mente e o espiritual do indivíduo.


Para atingir tal objetivo, a médica Ingrid Rojas Medina foi convidada a apresentar a Terapia com Som; a Terapia com brincadeiras ficou a cargo dos Universitários do Abraço, projeto local da nossa faculdade; Terapia com animais, com o instrutor Ricardo Henrique Pinto Varella; Terapia por meio com de histórias, com a contadora Anna Rossetto e Arteterapia, com a enfermeira Valéria Santana. Além da exposição do funcionamento de cada tipo de terapia, também foram expostos relatos de experiência de cada profissional e como eles observaram mudanças de comportamento nos pacientes, na qualidade de vida e saúde após o início de tais terapias integrativas. Ademais, na apresentação da arteterapia, foi evidenciado também o relato de mudança de vida de dois pacientes de Valéria Santana, o que engrandeceu a experiência do público-alvo.


Os participantes precisaram preencher um formulário do Google com perguntas para a avaliação do impacto causado, com um questionário que abordou questões de como cada um acreditava que deveria ser a abordagem de um profissional da saúde frente ao seu paciente e às terapias alternativas. Após a realização da atividade, os participantes preencheram um segundo formulário do mesmo modelo que questionou se a atividade ajudou de alguma forma a entender a importância de se sugerir essas terapias integrativas. Portanto, os resultados esperados com tal atividade foram atingidos, uma vez que foi possível observar que os alunos estavam mais abertos a possíveis terapias integrativas ao cuidado e a um atendimento mais humanizado, de forma a terem melhores condições para o.


No geral, foi observado que o evento estimulou novas visões de tratamentos e melhorias da qualidade de vida dos pacientes, visando seu bem-estar geral e não só na dualidade saúde doença. Sendo assim, o evento, no geral, mostrou a necessidade de se abordar a Medicina Integrativa nas faculdades da área da saúde, utilizando métodos científicos sólidos e artigos científicos robustos como foram expostos pelos palestrantes.


DISCUSSÃO

E possível observar, por meio de análises históricas, que diferentes civilizações adotaram várias formas de medicina. Sendo assim, cada civilização possuía práticas diferentes de cuidado e tratamento da saúde8. Atualmente, no Brasil e em várias regiões do mundo, o principal modelo de cuidado adotado é aquele conhecido como medicina ocidental, essa derivada da medicina Hipocrática, originada na Grécia Antiga.


Apesar da medicina ocidental ter uma origem milenar, ela sofreu diversas modificações para acompanhar as necessidades da sociedade, sendo que, após a Segunda Guerra e a Revolução Industrial, ocorreu uma grande evolução tecnológica em diversas áreas, incluindo na medicina. Dessa forma, esses avanços contribuíram para que o processo de cuidado se tornasse focado apenas no processo saúde-doença, com foco apenas no caráter biológico do ser humano, e não em suas características individuais, sociais e emocionais


Porém, nas últimas décadas, houve um descontentamento por parte da população com esse modelo biomédico. Esses indivíduos acreditam que a saúde vai além do corpo e o processo de cura não deve ser focado puramente nos componentes biológicos do seu ser, mas que os fatores psicológicos são tão importantes quanto. Além disso, o aumento de doenças crônico-degenerativas nas últimas décadas, as quais ainda não possuem cura pela medicina ocidental, se mostrou um agravante dessa situação. Nesse sentido, a Medicina Integrativa se mostrou alvo de interesse desse grupo.


Sendo assim, a Medicina Integrativa tem ganhado cada vez mais destaque no cenário atual da Saúde, principalmente pelo seu caráter integral, que cuida de todos os aspectos do indivíduo, indo além da doença em si. Entre elas, se encontra aquela que se denomina cuidado por meio da Alegria, como dito anteriormente, que foi o foco do evento mencionado, o qual abordou a terapia do som, contoterapia, palhaçoterapia e arteterapia. Sendo que, vale ressaltar que todas essas formas de Medicina Integrativa apresentam destaque positivo em pesquisas científicas, tendo destaque para seus benefícios


Além disso, reconhecendo os benefícios proporcionados, em 2006, foi criada pelo Ministério da Saúde em concordância com as diretrizes da OMS, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC). Devido a isso, o Brasil é referência mundial em Práticas Integrativas e Complementares atualmente, e o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente essas práticas para complementar o tratamento tradicional oferecido para os pacientes.


Portanto, levando em consideração as informações acima citadas, o evento "Alegria como forma de cuidado" é bastante relevante para os dias atuais, principalmente para os futuros profissionais da saúde, visto que a Medicina Integrativa deve ser usada com sabedoria por esses profissionais. Essas práticas podem complementar a medicina tradicional, cumprindo as demandas que essa última não consegue suprir completa e adequadamente, sejam elas emocionais, psicológicas, sociais e físicas. É preciso compreender que práticas integrativas e complementares na medicina podem ser uma grande ferramenta que, além de auxiliar no processo de cura, contribui para o bem estar e qualidade de vida do paciente.


As palestras foram ministradas de forma online e gratuita, proporcionando que pessoas de diferentes regiões, classes sociais e interesses pudessem participar. Mesmo assim, algumas limitações foram observadas, sendo elas a falta de proximidade e interação entre os palestrantes e o público. Quanto à divulgação, essa foi feita por meio de redes sociais, um elemento facilitador para alcançar um maior número de pessoas e garantir uma comunicação efetiva entre os organizadores, palestrantes e participantes. Apesar de todos os esforços de fazer uma ampla divulgação, o grupo de participantes foi composto majoritariamente por acadêmicos do curso de medicina e profissionais da saúde, não atingindo a diversidade de público desejada pelos organizadores. Por fim, o evento ocorreu da forma esperada, sem maiores surpresas, sendo muito elogiado por todos.


CONCLUSÃO

As informações disponibilizadas no evento, ministradas por profissionais capacitados, se mostram de importantes para a atualidade, principalmente para os futuros profissionais da saúde. Devido a isso, todo o evento teve uma resposta positiva do público e um grande número de inscritos. Apesar das limitaçóes enfrentadas, como a falta de proximidade e intimidade entre os palestrantes e os participantes e a concentração do público participante pertencerem a um só grupo (acadêmicos de medicina), o evento transcorreu de forma organizada, conforme o planejado.

Por meio do evento, foi possível levar informações seguras sobre as práticas de Terapia com som, Contoterapia, Terapia com animais, Palhaçoterapia e Arteterapia, mostrando como essas e outras práticas integrativas podem contribuir, em conjunto com a medicina ocidental (tradicional), para a saúde e tratamento dos pacientes.


CONFLITOS DE INTERESSE

Não houve conflito de interesse de nenhuma das partes em nenhum aspecto.


FINANCIAMENTO

Não ocorreu nenhum tipo de financiamento.


REFERÊNCIAS

1. Azevedo E de, Pelicioni MCF. Práticas integrativas e complementares de desafios para a educação. Trabalho, Educação e Saúde [Internet]. 2011 Nov 1. [Citado: 25 jan.2022]; 9: 361—78. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tes/a/WWDNxsKSVRpy75V6PN66R8B/abstract/?lang=pt

2. Mandrá PP, Moretti TC da F, Avezum LA, Kuroishi RCS. Terapia assistida por animais: revisão sistemática da literatura. CoDAS [Internet]. 2019;31 (3). [Citado: 25 jan.2022]. Disponível http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci arttext&pid=S231717822019000300601

Ribeiro DC, Gomes LB. Falbo A, Vieira CM. Palhaçoterapia como prática de cuidado no ambiente hospitalar: revisão

3. de literatura. TCCfpsedubr [Internet]. [Citado: 25 jan.2022]. Disponível em https://tcc.fps.edu.br/handle/fpsrepo/1141

4. Coqueiro NF, Vieira FRR, Freitas MMC. Arteterapia como dispositivo terapêutico em saúde mental. Acta Paulista de Enfermagem [Internet]. 2010 [Citado: 25 jan.2022];23(6):859—62. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/9LVK4BKMMB5mwXwjDbWgfh/?format=pdf&lang=pt

5. Da Silva Germann. D. A contação de histórias para crianças hospitalizadas do hospital da criança conceição (HCC) [Internet]. 2015 [citado em 3 de fevereiro de 2022]. Disponível em: http://docs.bvsalud.org/biblioref/colecionasus/2015/33312/33312-816.pdf

6. Pulido D. Sound Healing. Capstone Projects and Master's Theses [Internet]. 2021 May 1 [Citado: 01 fev.2022]; Disponível https://digitalcom mons.csumb.edu/caps thes all/1079/

7. Brasil. Ministério Da Saúde. Secretaria De Atenção Básica. Política Nacional de práticas integrativas e complementares no SUS - PNPIC-SUS. Brasília, Df: Embrapa Informação Tecnológica; 2006.

8. Otani MAP, Barros NF de. A Medicina Integrativa e a construçáo de um novo modelo na saúde. Ciência & Saúde Coletiva [Internet]. 2011 Mar 1 [Citado: 01 fev.2022]; 16: 1801 11. Disponível em: https://www.sci-

9. Queiroz M de S. O paradigma mecanicista da medicina ocidental moderna: uma perspectiva antropológica. Revista de Saúde Pública [Internet]. 1986 Aug 1 [Citado: 01 fev.2022]; 20:309—17. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/YvDPzbcHNkHGQz3wMWCkcZn/?lang=pt

10. Práticas Integrativas e Complementares (PICS) [Internet]. Ministério da Saúde. Available from:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-az/p/praticas-integrativas-e-complementares-pics


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