top of page

O Trabalho Respiratório como Ferramenta Psicoterapêutica: Uma Revisão embasada na Psicologia Corporal

REVISTA LATINO-AMERICANA DE PSICOLOGIA CORPORAL 

No. 7, p.83-107. Junho/2018 – ISSN 2357-9692 

Link original: Edição eletrônica em http://psicorporal.emnuvens.com.br/rbpc  


Fabio Martins Vieira1 

Fernanda de Souza  Fernandes2 

Jeverson Rogério  Costa Reichow3  

Maykon Quagliotto  Bernardo4 


1 Bacharel em Psicologia Universidade do Extremo  Sul Catarinense (UNESC) fabiomvieira@gmail.com  Criciúma, Santa Catarina,  Brasil; 

2 Psicóloga Esp. em Psico Oncologia Mestranda em Saúde  

Coletiva – Universidade do  Extremo Sul Catarinense  (UNESC) 

fe-psic@hotmail.com  Criciúma, Santa Catarina,  Brasil; 

3 Psicólogo – Mestre em  Educação Doutorando em Psicologia  Social – Universidade de  São Paulo (USP)  jrr@unesc.net Criciúma, Santa Catarina,  Brasil; 

4 Psicólogo Especislista,  Professor de Yoga, Acupunturista,

Quiropraxista e Massagista  Doutor em Acupuntura – Shandong University of  Traditional Chinese Medicine maykonbernardo@yahoo.com.br Criciúma, Santa Catarina,  Brasil



Resumo: Este estudo buscou demonstrar a relevância do trabalho respiratório  enquanto ferramenta de intervenção psicoterapêutica. Utilizou-se a  metodologia de revisão bibliográfica com análise qualitativa, sob a ótica da  Psicologia Corporal. Foram encontrados 13 artigos e teses relacionados ao  tema, publicados entre 2007 até 2017, com as palavras chave “respiração” e  “psicologia”. O trabalho respiratório se mostrou efetivo enquanto ferramenta  complementar utilizada pela Psicologia Corporal, Terapia Cognitivo Comportamental e Psicologia Transpessoal. Verificou-se sua capacidade de  modulação do Sistema Nervoso Autônomo e de redução dos sintomas de  estresse, depressão, fadiga, tensão, confusão mental e raiva, além do auxílio no  desenvolvimento da consciência corporal, consciência emocional, capacidade  de autorregulação do organismo e de alcançar estados holotrópicos de  consciência. Percebeu-se a necessidade de ampliação dos estudos para  exploração e sistematização de diferentes técnicas. 


Palavras-chave: Respiração, Psicologia Corporal, Psicoterapia. 


Respiratory Work as Psychotherapeutical Tool: an Embased  Review in Body Psychology 

Abstract: This study aimed to demonstrate the relevance of respiratory work  as a psychotherapeutic intervention tool. The methodology of bibliographic  review with qualitative analysis was used, from the point of view of Body  Psychology. We found 13 articles and theses related to the theme, published  between 2007 and 2017, with the keywords "respiration" and "psychology".  Respiratory work proved effective as a complementary tool used by Body  Psychology, Cognitive-Behavioral Therapy and Transpersonal Psychology.  Their ability to modulate the Autonomic Nervous System and reduce  symptoms of stress, depression, fatigue, tension, mental confusion and anger,  as well as aid in the development of body awareness, emotional awareness,  self-regulation capacity of the organism and to achieve holotropic states of  consciousness. It was noticed the need to expand the studies for exploration  and systematization of different techniques. 

Keywords: Breathing, Body Psychology, Psychotherapy 

______________________________________________________________________ 




Introdução 

O presente estudo teve por finalidade revisar e analisar publicações recentes acerca do  uso do trabalho respiratório como ferramenta de intervenção psicoterapêutica sob a ótica da  Psicologia Corporal. De um ponto de vista pessoal, este trabalho foi motivado por experiências  vivenciadas pelo próprio pesquisador no decorrer de dois anos de um curso de formação teórico  vivencial em psicoterapia corporal, além de um ano de tratamento psicoterapêutico dentro desta  mesma abordagem. Tais vivências lhe permitiram experienciar sensações de profundo bem estar, além de descobrir novas formas de perceber e lidar com as próprias emoções, com o seu  corpo e com o mundo a sua volta, através de um processo de desenvolvimento da consciência  corporal com ênfase na respiração.  



Do ponto de vista científico, uma consulta aos bancos de dados dos sites da Sociedade  Brasileira de Análise Bioenergética (SOBAB), Escola Pós-Reichiana Federico Navarro (EFEN)  e Centro Reichiano de Curitiba, revelou grande escassez de publicações tratando diretamente  sobre o tema da respiração dentro na abordagem da Psicologia Corporal. Das mais de 800  publicações disponibilizadas na forma de artigos livres, monografias, dissertações, teses e  artigos de congressos compreendidas entre os anos de 1999 até 2016, apenas 7 tratavam  especificamente sobre o tema da respiração, sendo que nenhuma destas apresenta dados  experimentais próprios ou de outros artigos relacionados a esta temática.  

Lowen (2007) explica que as emoções atuam diretamente sobre o ritmo e profundidade  da respiração. Ele exemplifica que o estado de relaxamento está ligado a um padrão respiratório  lento e suave, enquanto fortes emoções acarretam em uma respiração forte e intensa. Com o  aumento da tensão, a respiração perde profundidade, o que leva as pessoas a inspirar e prender a  respiração quando estão com medo. Desta forma, o autor conclui que “a respiração está  diretamente relacionada ao estado de excitação do corpo” Lowen (2007, p. 50) e é “um reflexo  da saúde emocional de uma pessoa” (LOWEN, 1984, p. 36). 


A contenção da respiração é a forma mais eficiente de reprimir sensações e emoções  (REICH ,1998; LOWEN, 1984; BAKER, 1980; NAVARRO, 1995). O medo de sentir leva à  contração da musculatura, o que impede que um impulso chegue à superfície, onde ocorrem a  sensação e a percepção. Esta contração inicia de forma consciente, porém quando se torna  crônica, tanto a contenção como o seu respectivo sentimento se tornam permanentemente  inconscientes (LOWEN, 2007). 


Enquanto a respiração plena é profunda, libertadora e envolve todo o corpo com suas  ondas, um padrão respiratório disfuncional está ligado a uma série de sintomas, tais como: 

ansiedade, irritabilidade, tensão, estresse, fadiga, depressão e redução do prazer sexual  (LOWEN, 1984). 


Considerando que “a incapacidade para respirar normalmente torna-se o principal  obstáculo para se recuperar a saúde emocional” (LOWEN, 1984, p. 33-34) e que assim como a  inibição da respiração é utilizada para reprimir emoções e sensações, o caminho inverso também  pode ser trilhado. Conclui-se que um trabalho que tenha como foco a liberação das tensões que  limitam a respiração ajude a relaxar todo o corpo, elaborar os conflitos emocionais e promover a  espontaneidade e a expressão dos sentimentos (LOWEN, 1984; LOWEN, 2007). 

Dentro deste contexto, esta pesquisa buscou demonstrar a relevância do trabalho  respiratório como ferramenta de intervenção psicoterapêutica, compreender suas diferentes  metodologias de trabalho e identificar os transtornos e sintomas que podem ser modificados  através da intervenção psicoterapêutica sobre a respiração. Para tal, a discussão é delimitada  pela relação entre os resultados da pesquisa e os conceitos da Psicologia Corporal. 


Metodologia 

Neste trabalho adotou-se a metodologia de pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo  exploratória, através de revisão bibliográfica. A análise dos dados obtidos está alicerçada nos  preceitos teóricos da Psicologia Corporal. 

A coleta de dados iniciou com buscas on-line nos bancos de dados do Scientific  Eletronic Library Online (SciELO), Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC – BIREME),  Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Biblioteca Digital  Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) utilizando as palavras chave “psicologia” e  “respiração”. 

Entre os artigos, teses e dissertações encontrados, foram selecionados aqueles que se  adequaram a bibliografias que abordassem a temática das intervenções sobre a respiração  enquanto prática potencialmente psicoterapêutica, elaboradas por psicólogos e publicadas entre  os anos de 2007 até 2017. 

Sobre esta seleção final foram realizadas leituras aprofundadas com o objetivo de  detectar conteúdos relacionados aos objetivos propostos neste estudo. Seus resultados foram  organizados na forma de síntese descritiva. 

Quanto a análise, foi realizada a discussão dos resultados através da relação entre o  material coletado e o referencial teórico da abordagem da Psicologia Corporal, possibilitando  uma resposta ao problema da pesquisa. 


Resultados 

No portal SciELO foram encontradas 6 ocorrências, das quais 4 foram eliminadas por  não estarem vinculadas a temas e autores da psicologia e 1 por não se adequar as datas de  publicação, restando apenas 1 artigo para utilização. 

No banco de dados PePSIC – BIREME foram disponibilizadas 8 bibliografias, das quais  5 foram eliminadas por não se enquadrarem à temática pesquisada, restando 3 artigos para  utilização. 

No site LILACS foram encontradas 29 ocorrências, das quais 27 foram eliminadas por  não se enquadrarem à temática pesquisada ou não possuírem psicólogos como autores, restando  2 artigos para utilização. 


Na BDTD foram disponibilizadas 23 bibliografias, das quais 10 foram eliminadas por  não estarem vinculadas a temas e autores da psicologia, 8 por não se adequarem as datas de  publicação e 1 por ter o link do documento corrompido, restando 4 teses de doutorado para  utilização. 

Além do material coletado nos bancos de dados descritos, foram inclusos ao resultado 3  artigos que se adequaram a metodologia, encontrados através de busca manual. 

Tabela 1 – Resultados significativos por fonte (2007-2017) 

SciELO PePSIC LILACS BDTD Outros Total 


Artigos 1 3 2 0 3 9 Teses 0 0 0 4 0 4 13 

No relato de caso sobre “A Importância do Foco da Terapia Cognitivo-Comportamental  Direcionado às Sensações Corporais no Transtorno do Pânico”, King et al. (2007) relatam o  caso de uma paciente de 56 anos de idade com diagnóstico de Transtorno de Pânico do tipo  respiratório com Agorafobia, submetida a um trabalho intensivo de indução dos sintomas de  ataques de pânico com manejo de técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)  relacionadas às sensações corporais. Após cada momento de indução de sintomas foi utilizada 

uma técnica de reeducação da respiração para controle da hiperventilação. O programa total de  16 sessões – envolvendo técnicas de escuta, educação didática, respiração, relaxamento  muscular e exercícios controlados de indução dos sintomas – unido ao tratamento  medicamentoso, levou a remissão dos ataques de pânico e melhora significativa no  comportamento agorafóbico. 


Em um estudo sobre “Dor em Oncologia: Intervenções Complementares e Alternativas  ao Tratamento Medicamentoso”, Graner, Costa Junior e Rolim (2010) realizaram uma revisão  bibliográfica sobre o tema da dor em oncologia, através da qual puderam apresentar  procedimentos psicológicos alternativos e complementares de manejo e controle da dor para  este grupo. A respiração profunda foi uma das técnicas citadas, sendo utilizada com o objetivo  de desviar a atenção do indivíduo de algum procedimento doloroso, diminuindo sua ansiedade,  proporcionando momentos de alivio da dor, distanciamento da realidade e aumentando sua  consciência corporal. Os autores perceberam a necessidade da elaboração de estudos que  investiguem estratégias de enfrentamento eficazes à redução da dor e do sofrimento nas  diferentes fases da doença. 


No artigo intitulado “Efficacy of a Specific Model for Cognitive-Behavioral Therapy  Among Panic Disorder Patients with Agorafobia: a Randomized Clinical Trial”, King et al.  (2011) demonstram resultados de um ensaio clínico randomizado realizado com 50 pacientes  voluntários com diagnóstico de Transtorno de Pânico e Agorafobia. Estudo em que se buscou  avaliar a eficácia de um modelo específico de TCC no tratamento deste transtorno. O programa  composto por 16 sessões semanais – envolvendo educação didática, reeducação da respiração,  relaxamento muscular, identificação de cognições distorcidas, exercícios de indução de  sintomas e exercício de exposição e manutenção dos ganhos – se mostrou eficaz, porém sem  apresentar diferença significativa dos resultados em comparação com o grupo de controle (GC).  De forma isolada, o grupo experimental (GE) apresentou diminuição considerável nos ataques  de pânico, ansiedade antecipatória, evitação de agorafobia e medo de sensações corporais, além  do aumento do nível de bem-estar. Os autores recomendaram replicação dos testes com a  utilização de uma amostra homogênea. 


Na tese de Luiz (2011) sobre os “Efeitos de um Programa de Intervenção Cognitivo Comportamental em um Grupo para Crianças Obesas”, o autor relata os efeitos da intervenção  cognitivo-comportamental no grupo de 35 crianças com idade entre 7 e 12 anos, sobre  indicadores de qualidade de vida, depressão, ansiedade, comportamento alimentar e índice de  massa corpórea, comparados com um GC. Neste modelo composto por 10 sessões semanais de  2 horas, uma das instruções dadas aos participantes foi a prática diária de um exercício 

específico de respiração. O uso desta técnica buscou aumentar o controle sobre o próprio corpo  e proporcionar a sensação de calma. Ao final da intervenção o GE apresentou diminuição de  consumo alimentar em situações de estresse emocional, o que a autora vinculou ao  desenvolvimento da consciência emocional, proporcionada pela prática dos exercícios de  relaxamento, respiração e reestruturação cognitiva. De maneira geral o GE apresentou  diminuição significativa do percentil de obesidade e dos sintomas depressivos e ansiosos, além  de melhora na qualidade de vida quando comparados com o GC. 


No artigo escrito por Neves neto (2011) sobre “Técnicas de Respiração para Redução  do Estresse em Terapia Cognitivo-Comportamental”, é apresentada uma revisão das bases  psicofisiológicas do treino de respiração aplicada à redução do estresse em TCC e Medicina  Comportamental. O autor faz um levantamento sobre seus tipos, objetivos, benefícios e áreas de  utilização. Através desta revisão ele apresenta que as técnicas de respiração podem acarretar em:  estabilização do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), aumento da variabilidade da frequência  cardíaca (VFC), diminuição da pressão arterial (sístole e diástole), aumento da função  pulmonar, aumento da função imune, aumento do fluxo de sangue e linfa, melhora da digestão,  melhora da qualidade e padrão do sono e aumento do bem-estar biopsicossocial e qualidade de  vida. Seu levantamento bibliográfico indicou que estas técnicas são comumente aplicadas em  casos de estresse infantil, instabilidade autonômica, depressão e/ou ansiedade, hipertensão  arterial, insônia, doença pulmonar obstrutiva crônica e outras condições (asma, sinusite,  enxaqueca, dor crônica, síndrome do intestino irritável, transtorno de déficit de atenção e  hiperatividade, calores da menopausa, etc.). 


Em uma pesquisa relacionada ao “Manejo do Estresse para Pacientes com HIV / AIDS  por Meio da TCC”, Cardoso (2013) apresenta uma revisão bibliográfica sobre o histórico da  epidemia, o estigma social vinculado aos portadores do vírus e o agravamento da doença pelo  estresse. São citadas algumas técnicas utilizadas pela TCC para o manejo do estresse, sendo  uma delas a respiração diafragmática. Neste contexto sua função seria a de estimular o SNA  Parassimpático, diminuindo a liberação de hormônios do estresse, a pressão arterial e o ritmo  cardíaco. O texto sugere uma prática regular, mas com o cuidado de evitar a hiperventilação,  overdose ou ansiedade induzida por relaxamento. A autora percebe a necessidade da elaboração  de estudos empíricos que relacionem o manejo do estresse com a contagem das células CD4 em  pacientes em diferentes estágios da infecção, aplicados a realidade brasileira. 

No artigo intitulado “Yoga, Psychophysiology and Health: Studies from the Yoga  Department Research, Patanjali University, India”, Menezes, Bizarro e Teles (2013) realizam  uma revisão no banco de dados do Departamento de Pesquisas de Yoga da Universidade 

Patanjali da Índia, onde buscaram publicações científicas – dos últimos 5 anos – relacionadas  com as áreas da fisiologia, performance humana, terapia e reabilitação, ligadas a prática de  diferentes técnicas do Yoga. Os autores apresentam que a prática de certos pranayamas pode  levar a uma maior capacidade de atenção seletiva – no caso de Kapalabhati (KPB) – ou um  estado de alerta relaxado – no caso de Breath Awareness (BA), com permanência dos efeitos  durante 15 minutos após o término das práticas. A equipe concluiu que os exercícios de postura,  respiração controlada, relaxamento e meditação praticados no Yoga podem ter implicações  clínicas para a saúde mental e física. Apesar disso, chamam atenção para a escassez de estudos  brasileiros voltados a esta área e a necessidade de investigar as aplicações destas técnicas para  diferentes grupos clínicos.  


Na tese elaborada por Campagnone (2013) sobre “Aproximações Entre a Psicoterapia e  a Yoga”, é apresentado um estudo constituído por revisão bibliográfica empírica, revisão teórica  e pesquisa qualitativa através de entrevistas com 6 psicoterapeutas praticantes de Yoga, através  das quais buscou descrever as possíveis aproximações entre Yoga e psicoterapia. A autora  concluiu que existem semelhanças entre o Yoga e a Bioenergética de Lowen, além de  influências do Yoga nas obras de Carl Gustav Jung. Levantou-se, pela unanimidade da ideia  entre os psicólogos entrevistados, a possibilidade de que algumas técnicas como respiração,  determinadas posturas e a meditação podem ser utilizadas em psicoterapia. 


Em uma pesquisa sobre o “Treino de Relaxamento e Respiração em Pacientes com  Hipertensão e Estresse”, Chicayban e Malagris (2014) apresentam um estudo realizado com 19  pacientes hipertensos estressados, realizado com o objetivo de avaliar os efeitos do treino de  relaxamento e respiração para hipertensos nos seus índices, níveis e sintomas de estresse e  pressão arterial. Os autores perceberam redução no índice e na quantidade de sintomas de  estresse no GE visto isoladamente, mas que se torna um resultado estatisticamente insignificante  se comparado com o GC. Não foi registrada nenhuma redução no índice de pressão arterial,  mesmo após o término do programa. Os pesquisadores apontam a necessidade de  implementação de outras estratégias de intervenção que possam atuar sobre as cognições  distorcidas e as influências psicossociais que servem como fonte de manutenção do estresse.  Sugeriu-se ainda uma replicação do estudo com aumento da amostra. 



No estudo denominado “Efeito da Respiração Controlada e da Meditação Mindfulness Sobre a Variabilidade da Frequência Cardíaca”, Sbissa (2014) busca compreender e mensurar o  potencial efetivo destas técnicas na promoção da homeostase psicofisiológica do organismo.  Sua amostra, composta por 135 sujeitos, foi dividida em 2 grupos – experiente e não experiente  – para a prática de cada exercício isolado e na prática combinada. Cada indivíduo foi submetido 

a avaliações psicofisiológicas antes, durante e depois de 20 minutos de exercício. Após as  práticas, percebeu-se melhora significativa nos estados de estresse e humor em todos os  subgrupos, com exceção da prática da respiração controlada em combinação com mindfulness por sujeitos não experientes. O aumento da VFC foi percebido em ambos os grupos de prática  de meditação mindfulness e no grupo experiente de respiração controlada. A combinação da  respiração controlada e da meditação mindfulness levou a um aumento da frequência cardíaca,  ativação simpática e uma diminuição do tônus vagal, fenômeno relacionado ao aumento da  capacidade de atenção. Em todos os casos, antes da intervenção, os grupos de praticantes  experientes apresentaram menor índice de estresse percebido e maior vigor quando comparados  com os grupos não experientes. 


A pesquisa de Latterza et al. (2014) relacionada as “Técnicas da Psicologia  Transpessoal que Induzem aos Estados Ampliados de Consciência como Cuidado Integrativo”,  os autores buscaram por bibliografias nacionais e internacionais relacionadas às técnicas de  Respiração Holotrópica, Renascimento e Terapia Regressiva Integral. Seus resultados se  limitaram a 6 artigos divididos em 2 estudos de séries de casos, 1 estudo exploratório do tipo  caso-controle, 2 ensaios clínicos aleatórios de pequena amostra e 1 estudo de revisão  bibliográfica, tratando apenas sobre a Respiração Holotrópica.  


A escassez de resultados demonstrou a existência de um vasto campo para pesquisas  acadêmicas dentro deste tema. Apesar disso, os autores concluem que tais achados dão suporte  empírico inicial para a afirmação de que psicoterapias orientadas com a utilização da Respiração  Holotrópica podem ser modalidades terapêuticas úteis. Os pesquisadores sugerem o  desenvolvimento de estudos controlados com um tamanho de amostra adequado, sendo  composta por indivíduos com diagnósticos psicoemocionais homogêneos. Isto possibilitaria a  avaliação da eficácia desta ferramenta como um complemento útil dentro da psicoterapia e/ou  como um método alternativo de promoção da saúde mental, bem-estar e qualidade de vida. 


A tese elaborada por Lozano (2016) sobre “O Efeito do Controle Respiratório em  Variáveis Eletrofisiológicas da Atenção”, apresenta uma pesquisa realizada com 19 sujeitos,  onde se buscou verificar se variáveis contínuas do eletroencefalograma (EEG) seriam  moduladas pelo controle respiratório, nas fases de inspiração e expiração, em comparação com a  respiração espontânea. Os achados do estudo indicam que o controle respiratório modula  variáveis eletroencefalográficas relativas a atenção, com diminuição da razão teta/beta nas  regiões central e occipital, sobretudo durante a inspiração na respiração controlada. Percebeu-se  também o aumento dos valores de médias de potência alfa na região frontal durante esta mesma  técnica, o que indicaria um estado de alerta aumentado, acompanhado de relaxamento. A autora 

conclui que focar a atenção na respiração pode acarretar em um alivio do sofrimento psicológico  ao evitar o excesso de estímulos internos e externos. 


No artigo intitulado “A Possible Dialogue Between Analytical Psychology and  Complementary and Alternative Medicine”, Siegel e Turato (2016) apresentam uma revisão  integrativa da literatura da Psicologia Analítica ligada a Medicina Complementar Alternativa.  Os autores perceberam que, apesar do material encontrado relacionando o uso de mandalas,  música, Kundalini Yoga, Mindfulness, Homeopatia, I Ching, Xamanismo, Daoísmo,  Biofeedback e rituais tradicionais de cura com a prática clínica da Psicologia Analítica, não há  registros de que Carl Gustav Jung tenha discutido ou recomendado o uso de abordagens  complementares de saúde – como respiração, práticas corporais, tratamento de ervas, dietas e  jejum, homeopatia e acupuntura – aos seus pacientes. Apesar disso, encontraram-se frequentes  relatos da utilização de exercícios de mente-corpo pelos seguidores de Jung e de que ele mesmo  tenha sido um praticante de Yoga. 


Discussão 

Dos 13 artigos e teses apresentados como resultado desta pesquisa, 12 apontam a  utilização do trabalho respiratório como uma forma positiva de intervenção para o  reestabelecimento da homeostase psicofisiológica do organismo e para o manejo de uma série  de sintomas e transtornos gerados, principalmente, pelo desequilíbrio no funcionamento do  SNA. 

Volpi e Volpi (2003) afirmam que a saúde depende da capacidade do organismo de  oscilar entre os impulsos das duas ramificações do SNA – Simpático e Parassimpático – e  alcançar a homeostase, pois a incapacidade deste equilíbrio faz com que o organismo perca sua  capacidade de autorregulação e entre em colapso. Enquanto o ramo simpático é ativado frente a  percepção de perigo, causando reações como o aumento do ritmo respiratório e contração  muscular, a ativação parassimpática está ligada ao estado de relaxamento. Boadella (1992)  explica que os impulsos gerados por estes sistemas regulam o metabolismo energético e  algumas funções básicas como circulação, respiração, digestão, sexualidade e o orgasmo. Para  Boadella (1985) o sistema parassimpático está ligado a expansão libidinal em direção ao  mundo, enquanto o simpático corresponderia a uma retração libidinal para dentro de si mesmo. 

Em seu artigo sobre o efeito da respiração controlada e da meditação mindfulness sobre  a VFC, Sbissa (2014) parte do pressuposto de que o descontrole do SNA pode causar uma série 

de doenças e disfunções psicofisiológicas, tais como: hipertensão, diabetes mellitus,  fibromialgia, depressão, transtorno de ansiedade e estresse crônico. Por sua vez, Neves Neto  (2011), em uma publicação sobre técnicas de respiração para a redução do estresse em TCC,  apresenta o treino de respiração como uma resposta de relaxamento para o organismo, capaz de  propiciar seu retorno à homeostase. O autor comenta que na medicina se aprende sobre o  aparelho respiratório e suas patologias, na formação cognitivo-comportamental as técnicas de  respiração são vinculadas às técnicas de relaxamento e que raramente se ouve falar sobre o  poder da respiração, a não ser dentro de algumas abordagens como a Vegetoterapia de Wilhelm  Reich, a Bioenergética de Alexander Lowen e a Biossíntese de David Boadella, sendo estes importantes referenciais dentro da Psicologia Corporal. 


Em suas investigações na base de dados do Departamento de Pesquisas em Yoga da  Universidade de Patanjali, Menezes, Bizarro e Teles (2013) encontram experimentos – com  registro de eletroencefalograma – comprovando que a prática de 15 minutos de duas técnicas  respiratórias (KPB e BA) causam uma modulação no SNA levando, respectivamente, a uma  maior capacidade de atenção seletiva e um estado de alerta relaxado. Durante os experimentos  de sua tese, Sbissa (2014) pôde verificar uma modulação do SNA através da prática de  meditação mindfulness, tanto em praticantes experientes como não experientes.  


O mesmo resultado foi percebido em praticantes experientes de respiração controlada e  na combinação de mindfulness com respiração controlada. Lozano (2016), em sua tese sobre o  efeito do controle respiratório em variáveis eletrofisiológicas da atenção, também pôde verificar  esta modulação, percebendo um estado de maior atenção e relaxamento durante a prática de  respiração controlada. Neves Neto (2011) apresenta informações de seu próprio banco de dados,  referente a mensurações realizadas nas aulas de Medicina Comportamental do Curso de Pós  Graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental em Saúde Mental do Ambulatório de  Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da  Universidade de São Paulo, onde é possível verificar um maior nível de VFC durante a prática  de respiração diafragmática e meditação mindfulness, quando comparadas com a respiração  espontânea. De acordo com o autor, este resultado indica maior equilíbrio do SNA durante a  prática destes exercícios respiratórios. 

Boadella (1992) diz que uma respiração deprimida causa a desaceleração de todo o  metabolismo. Lowen (1984) complementa explicando que esta respiração deficitária resulta em  fadiga e depressão. O autor ainda relaciona padrões inadequados de respiração a problemas de  ansiedade, estresse, irritabilidade e tensão. De uma forma geral, a dificuldade de respiração gera  ansiedade, o que em casos graves pode chegar ao pânico ou ao terror, como nos casos de 

Claustrofobia e Agorafobia. Boadella (1992) aponta que um padrão inspiratório crônico é  característico de personalidades rígidas, que costumam ter propensão a hipertensão e ataques  cardíacos. Por outro lado, sujeitos com padrão expiratório – onde a barriga tende a permanecer  em estado de deflação – costumam ter dificuldade de concentração e de contenção. Tais  referencias demonstram a relação entre a respiração e seu potencial de cura dos sintomas e  transtornos apresentados por Sbissa (2014), através da possibilidade de modulação do SNA por  meio da prática de exercícios respiratórios, conforme comprovado por Menezes, Bizarro e Teles  (2013), Sbissa (2014) e Neves Neto (2011) 


Em sua pesquisa sobre as principais aplicações das técnicas de respiração na área da  saúde, Neves Neto (2011) apresenta a seguinte lista: estresse infantil, instabilidade autonômica,  depressão, ansiedade, hipertensão arterial, insônia, doença pulmonar obstrutiva crônica e outras  condições (asma, sinusite, enxaqueca, dor crônica, síndrome do intestino irritável, transtorno de  déficit de atenção e hiperatividade, calores da menopausa, etc.). Como principais benefícios de  sua utilização são apontados a estabilização do SNA, aumento da VFC, das funções pulmonar e  imune e do fluxo sanguíneo e da linfa, diminuição da pressão arterial, melhoria da digestão, da  qualidade e padrão do sono e aumento do bem-estar biopsicossocial com reflexo direto na  qualidade de vida.  


As áreas apresentadas por Neves e Neto (2011) enquadram as publicações que  compõem o presente estudo, que indicaram o uso ou verificaram o efeito de técnicas de  respiração em casos de estresse e ansiedade em pacientes hipertensos estressados  (CHICAYBAN; MALAGRIS, 2014), manejo da dor em pacientes da oncologia (GRANER;  COSTA JUNIOR; ROLIM, 2010), relaxamento e controle corporal em um grupo de crianças  obesas (LUIZ, 2011), diminuição da ansiedade e de crises de pânico (CAMPAGNONE, 2013),  melhoria dos estados de estresse e de humor envolvendo estresse percebido, fadiga, tensão,  raiva, confusão mental, depressão e vigor (Sbissa, 2014), redução da ansiedade e do sofrimento  psicológico (LOZANO, 2016), Transtorno de Pânico e Agorafobia (King et al., 2011; King et  al., 2011) e manejo de estresse para pacientes com HIV / AIDS (CARDOSO, 2013). 


Partindo do pressuposto de que o aumento da pressão arterial seja um dos principais  sintomas ligados ao estresse, Chicayban e Malagris (2014) propõe a utilização de uma técnica  de relaxamento muscular progressivo em combinação com respiração lenta e profunda. Seu  objetivo seria reduzir a tensão muscular causada por pensamentos ansiogênicos e alterar o  padrão respiratório superficial presente neste grupo, o que resultaria em uma melhora da  oxigenação sanguínea e controle cardiovascular. Seus resultados demonstraram que 5 dos 9  pacientes do GE deixaram de apresentar sintomas de estresse, 2 pacientes apresentaram 

diminuição dos sintomas e outros 2 obtiveram os mesmos resultados iniciais, porém sem  qualquer variação significativa dos níveis de pressão arterial em qualquer sujeito da amostra. 


Por conta disso o autor aponta a necessidade de implementação de outras estratégias de  intervenção que possam atuar sobre as cognições distorcidas e influencias psicossociais que  servem como fonte de manutenção do estresse. 

Boadella (1992) caracteriza este padrão respiratório comum em sujeitos com propensão  a pressão alta e ataques do coração como uma respiração inspiratória superinflada. Ele explica  que este perfil se estrutura pela contenção dos sentimentos e pelo medo de expirar  completamente, o que inconscientemente seria equivalente a morte. O autor concorda que estas  pessoas precisam, acima de tudo, de adquirir a capacidade de relaxar. Porém, para conter sua  tristeza, raiva, ansiedade e desejos, acabam retesando seu corpo. Talvez por este motivo o  simples uso das técnicas de relaxamento e respiração não tenham sido suficientes para uma  diminuição da pressão arterial dos pacientes. A ideia de Lowen (1984) de que exercícios  simples de respiração não são muito eficientes por não atingirem os conflitos psicológicos,  acaba indo ao encontro com a necessidade percebida por Chicayban e Malagris (2014) de uma  complementação do treino proposto através de intervenção psicológica. 


Ambas as publicações disponibilizadas por King et al. (2007) e King et al. (2011) falam  sobre a eficácia de um modelo específico de TCC direcionada às sensações corporais, para o  tratamento de Transtorno de Pânico do tipo respiratório. Neste modelo a respiração é utilizada  tanto como um gatilho de manifestação dos sintomas – através da hiperventilação – como uma  ferramenta de reeducação – através da respiração diafragmática – que equilibra as quantidades  de oxigênio e gás carbônico do organismo, reestruturando seu compasso. O objetivo dos  pesquisadores é corrigir as cognições distorcidas dos pacientes, que vivenciam as sensações  corporais desencadeadas pelo mecanismo de “luta e fuga” do SNA, como se fossem  catastróficas. King et al. (2007) verificaram a remissão dos ataques de pânico e a extinção dos  comportamentos de evitação e ansiedade antecipatória no caso relatado. King et al. (2011)  perceberam uma redução significativa nos ataques de pânico, ansiedade antecipatória,  Agorafobia, medo das sensações corporais e aumento do estado de bem-estar no GE ao final do  tratamento, porém não houveram alterações significativas dos parâmetros clínicos desde a linha  de base do tratamento, quando comparados com o grupo que recebeu apenas o tratamento  medicamentoso. 


Nestes dois estudos a TCC se aproxima da Psicologia Corporal no direcionamento de  sua proposta de trabalho, ao focar nas sensações corporais do paciente e na importância do  trabalho respiratório na busca da remissão dos sintomas. Lowen (1984) explica que a respiração 

inadequada provoca ansiedade e que se encontra subjacente em vários sintomas de Agorafobia.  “Toda dificuldade em respirar causa ansiedade. Se a dificuldade é grave pode levar ao pânico ou  ao terror" (LOWEN, 1984, p. 33). Desta forma, compreende-se o uso da respiração como um  treino de autorregulação do organismo e como ferramenta auxiliar para a correção das  cognições distorcidas. Apesar desta convergência entre as abordagens, a Psicologia Corporal  costuma buscar a relação entre as manifestações somáticas e os fatores psicodinâmicos do  desenvolvimento de cada indivíduo. 

Lowen (2007) diz que respirar profundamente é sentir profundamente, e que esta  respiração tem o poder tocar e libertar sentimentos reprimidos. Boadella (1992) diz que na  medida em que as emoções são liberadas, os músculos tensos podem abrir mão de sua função  defensiva. Volpi e Volpi (2003) dão ainda mais um passo ao explicar que na medida em que  esta couraça muscular vai sendo diluída, há uma liberação da energia vegetativa e a reprodução  das lembranças infantis que podem ser a base do sintoma ou transtorno presente. Deste ponto de  vista, a respiração seria capaz não apenas de diminuir as tensões causadas pelo estado de  contração ligado ao pânico e a ansiedade, mas também de levar o paciente a fazer contato com  sensações, sentimentos e emoções primitivas e aparentemente destrutivas, aceitá-las e, na  medida do possível, permitir que fluam para a esfera da ação, onde deixam de ter domínio sobre  o comportamento do indivíduo. 


Na testagem de um programa de intervenção cognitivo-comportamental em um grupo  de crianças obesas, Luiz (2011) propõe o exercício diário de respiração lenta e profunda com o  objetivo de desenvolver nos pacientes um maior controle corporal e lhes proporcionar a  sensação de calma. A autora percebeu uma diminuição do consumo alimentar em situações de  estresse emocional, o que vinculou ao uso dos exercícios de relaxamento, respiração e  reestruturação cognitiva. De forma geral, o GE apresentou uma diminuição significativa do  percentil de obesidade, dos sintomas depressivos e ansiosos e uma melhora na qualidade de vida  quando comparado ao GC. 


O uso do trabalho respiratório neste contexto pode ter auxiliado no desenvolvimento da  consciência corporal e emocional dos indivíduos, acarretando na modificação de seus padrões  comportamentais. Boadella (1992) considera que o reequilíbrio da energia emocional está  intrinsecamente ligado ao equilíbrio da respiração. Lowen (1984) explica que a terapia  bioenergética parte da ideia da existência de uma identidade funcional entre mente e corpo,  considerando que qualquer mudança nos sentimentos e comportamentos de uma pessoa  acarretaria em alterações no funcionamento do seu corpo, principalmente nas funções da  respiração e motilidade. Por conta disso, busca auxiliar o paciente a tomar consciência de suas 

tensões musculares e do hábito de reter a respiração. Desta forma, seguindo a contrapartida  desta identidade funcional, o autor sugere a modificação do comportamento através da  dissolução das tensões que limitam a respiração e os movimentos espontâneos do organismo.  


Ao sugerir o trabalho de respiração profunda como ferramenta complementar ou  alternativa para o manejo da dor em pacientes da oncologia, Graner, Costa e Rolim (2010)  afirmam que esta técnica visa desviar a atenção do indivíduo de um procedimento doloroso,  diminuindo sua ansiedade, proporcionando momentos de alívio da dor, distanciamento da  realidade e aumentando sua consciência corporal. 

Lowen (1984, p. 37) explica que “a respiração é a pulsação básica (expansão e  contração) de todo o corpo; portanto é a base de experiência de prazer e dor”. De tal forma, um  estado de contração causado pelo estresse físico e psicológico causado pela doença e pelo  próprio tratamento, potencializam a sensação de sofrimento. Por outro lado, Lowen (2007)  relata que quando a respiração do paciente se torna fácil e profunda, é percebido que estão  mergulhados em um estado de tranquila serenidade e costumam relatar uma sensação de bem estar.



Discutindo um pouco além da questão da dor, Boadella (1985) cita os estudos de Reich  sobre a biopatia do câncer, onde ele afirma ter verificado que pacientes oncológicos  normalmente apresentam uma respiração cronicamente deficiente que acarreta em uma  respiração interna tissular precária, o que leva a um agravamento da doença.  



Apesar de que Sbissa (2014) e Lozano (2016) tenham realizado seus estudos fora do  contexto clínico, o primeiro pôde perceber que em todas as fases de sua pesquisa, antes da  prática de qualquer um dos exercícios respiratórios, o grupo composto por participantes  experientes na utilização destas técnicas apresentou menor índice de estresse percebido e maior  vigor quando comparados com o grupo não experiente. Por sua vez, Lozano (2016) foi capaz de  confirmar sua hipótese de que a prática de certos exercícios de manipulação voluntária da  atenção e da respiração (pranayamas) podem levar a um alívio do sofrimento psicológico ao  interromper o fluxo de pensamentos que, em muitos casos, podem ser fonte de ansiedade e  medos irracionais. A autora pôde verificar nos registros de eletroencefalograma a prevalência de  um estado de alerta aumentado e maior relaxamento quando comparados com os dados obtidos  durante a respiração espontânea. Como já foi dito, Menezes, Bizarro e Teles (2013) também  apresentam dados que confirmam a modulação do SNA através da respiração, com prevalência  de estados de alerta e/ou relaxamento que perduram por até 15 minutos após a prática dos  exercícios. Os resultados positivos de todas estas publicações são promissores, porém a curta  duração de seus efeitos, leva a reflexão de que sua utilização atua como método alternativo e  natural de controle do estresse em momentos pontuais. Por outro lado, a distinção dos níveis de 

estresse e vigor entre os participantes experientes e não experientes, na pesquisa de Sbissa  (2014), pode indicar que a prática rotineira de certos exercícios respiratórios seja capaz de uma  transformação permanente na saúde do indivíduo, ou então que este tipo de prática está ligado a  uma amostra da população que tem um maior cuidado com os fatores atuantes em sua qualidade  de vida. 

Lowen (1984) comenta que exercícios simples de respiração não são muito eficientes  per se. Apesar disso, explica que a respiração é muito importante desde o início da Terapia  Bioenergética, pois fornecerá energia necessária para que o músculo contraído possa se mover.  Boadella (1992, p. 85) afirma que “através de técnicas que aprofundam e desaceleram a  respiração, podemos acalmar redemoinhos de emoção e controlar processos de pensamento”. 


Desta forma podemos perceber uma conexão entre a prática de exercícios respiratórios e um  aumento do vigor, além da redução de níveis de estresse e alívio do sofrimento psicológico,  como demonstrado nos estudos de Sbissa (2014) e Lozano (2016). Porém, a respiração  consciente não é capaz de influenciar o padrão típico involuntário que se encontra intimamente  ligado às reações emocionais do indivíduo. Para que esta transformação seja possível, o trabalho  respiratório precisa estar vinculado ao estiramento muscular, fazendo com que ele vibre e, por  consequência, afrouxe a contratilidade crônica dos músculos. Esta vibração involuntária do  corpo é uma manifestação de suas reações emocionais contidas e tem um efeito imediato sobre  o padrão respiratório, tornando-o espontaneamente mais profundo (LOWEN, 1984). 


Mesmo que neste estudo os termos de pesquisa para a coleta de dados tenham sido  restritos a “psicologia” e “respiração”, 6 das 13 bibliografias encontradas acabaram  apresentando uma relação direta ou indireta com o Yoga, por conta de suas práticas respiratórias  chamadas de pranayamas. Sbissa (2014) comenta que, apesar desta relação entre a respiração e  as funcionalidades do SNA terem sido reconhecidas pela ciência no século passado, há registros  de textos do Yoga apresentando conhecimento sobre este mecanismo há milênios. Lozano  (2016) inicia sua pesquisa a partir da hipótese da influência da prática do pranayama sobre o  fluxo de pensamentos. Neves Neto (2011) propõe que após a utilização de exercícios  respiratórios simples que possibilitem ao paciente o desenvolvimento de consciência corporal e  autorregulação da respiração, ele possa ser direcionado para a prática de pranayamas, com o  objetivo de alterar voluntariamente seus ciclos respiratórios. No artigo escrito por Siegel e  Turato (2016) foi citado que Carl Gustav Jung foi um praticante de Yoga, porém afirmam não  haver registros de que ele tenha discutido ou recomendado a seus pacientes o uso de abordagens  complementares de saúde como respiração, práticas corporais, tratamento de ervas, dietas e  jejum, homeopatia e acupuntura. Apesar de que esta mesma pesquisa tenha encontrado materiais 

relacionando o uso de mandalas, música, Kundalini Yoga, Mindfulness, I Ching, Xamanismo,  Daoísmo, Biofeedback e exercícios de mente-corpo com os seus seguidores. Em sua pesquisa na  base de dados do Departamento de Pesquisa em Yoga da Universidade de Patanjali, Menezes,  Bizarro e Teles (2013) encontraram que a maior parte dos estudos relacionados às áreas de  fisiologia e performance cognitiva estão concentrados nas práticas de pranayamas. A conclusão  deste trabalho é de que técnicas do Yoga como posturas, respiração controlada, relaxamento e  meditação podem ter implicações clínicas para a saúde mental e física. 


Apesar destas ligações, nenhum dos estudos apresentados até o momento explorou tão  diretamente a relação entre a psicoterapia e o Yoga quanto a tese de Campgnone (2013) sobre  aproximações entre a psicoterapia e a Yoga. Em sua pesquisa bibliográfica, a autora apresenta  que tanto a Terapia Corporal quanto o Yoga têm como uma de suas características a diminuição  do sofrimento humano por meio de técnicas de respiração. Ambas também concordam que um  corpo ansioso e com medo respira pouco e que uma respiração plena é necessária para o  aumento da vitalidade do organismo. Uma importante distinção estaria no fato de que o Yoga  não considera necessária a expressão verbal das sensações e sentimentos durante as práticas,  enquanto na Bioenergética não há separação entre o acompanhamento psicoterápico e a  realização de suas posturas (actings), por ser considerado essencial a elaboração dos conteúdos  emergentes. Na etapa de entrevistas, uma de suas colaboradoras afirmou que os exercícios de  respiração podem ajudar a diminuir a ansiedade e crises de pânico, além de acelerar o processo  psicoterapêutico.  


Outra entrevistada diz acreditar que as técnicas do Yoga deveriam ser utilizadas em  psicoterapia, pois as técnicas de respiração colocam as pessoas em contato com seu campo  emocional. Um terceiro sujeito diz crer que alguns exercícios de respiração e posturas de  alongamento podem ser incluídos no processo terapêutico. Campagnone (2013) conclui, em  parceria com suas entrevistadas, que ambas as abordagens promovem o crescimento e o  autoconhecimento. Houve unanimidade na ideia de que técnicas de respiração, posturas e  meditação podem ser utilizadas em psicoterapia, onde existe um contexto de acolhimento e  elaboração dos conteúdos emergentes capaz de potencializar o processo de cura. 

Pereira (2010) compreende o Yoga, a Análise do Caráter e a Vegetoterapia como  técnicas complementares, pois todas buscam promover a saúde integral, através da ampliação da  consciência e de um “melhor entendimento da realidade do indivíduo inserido em seu contexto  social” (PEREIRA, 2010, p. 15). Tanto a abordagem Reichiana como o Yoga dividem o corpo  em 7 segmentos, a partir dos quais compreendem o movimento da energia pelo organismo. O  autor também relaciona a Bioenergética com o Yoga devido a semelhança de suas técnicas que 

visam o desbloqueio da energia, buscando um movimento livre e espontâneo do corpo capaz de  auxiliar na integração entre corpo, mente e espírito. Estas duas abordagens possuem grande foco  sobre a respiração e concordam que através deste mecanismo se pode alcançar estados alterados  de consciência, autoconhecimento e domínio sobre si e suas emoções. “Ambas têm elementos  em comum: a respiração, o trabalho corporal e a busca da compreensão da totalidade da vida”  (PEREIRA, 2010, p. 22). O único ponto que o autor apresenta como divergente é o fato de que  no Yoga não há espaço dedicado ao processo analítico. Bombardelli e Porto (2016) propõem  que uso de alguns pranayamas dentro da Psicoterapia Corporal pode ser válido para aumentar a  quantidade de oxigênio absorvida pelo organismo, elevando assim sua carga energética. Além  disso, as técnicas respiratórias permitem que o paciente tome consciência do seu padrão  respiratório deficitário, seja em relação ao ritmo, profundidade ou as limitações de mobilidade  em relação ao peito e abdômen. 


Além do Yoga, a Respiração Holotrópica foi apresentada por Latterza et al. (2014)  como outra abordagem que busca o desenvolvimento da saúde integral de seus praticantes. Os  autores concluem que esta técnica auxilia na organização e compreensão de conteúdos  inconscientes, através de seu potencial de levar o praticante a estados ampliados de consciência.  Sua compreensão sobre os achados bibliográficos é de que a utilização desta ferramenta não  parece ser prejudicial aos indivíduos que procuram psicoterapia. Como a revisão deste estudo  encontrou poucos resultados, além do fato de que estes foram realizados com amostras  reduzidas, os autores indicam a necessidade de linhas de pesquisa que testem hipóteses dos  efeitos psicoterapêuticos da Respiração Holotrópica. Latterza et al. (2014) explicam que nesta  prática é dado um comando inicial de respiração contínua acelerada que leva o praticante a um  estado holotrópico de consciência, o que permite que a própria consciência de cura individual  oriente sua respiração e seus processos psíquicos. Os autores comentam que a disseminação do  uso deste tipo de técnica exigiria uma mudança de paradigma científico que poucos  profissionais da área estão dispostos a fazer. Além disso, citam a dificuldade que outros tantos  profissionais da saúde têm em lidar com estados emocionais intensos e as manifestações  corporais que os acompanham, sem patologizar estes fenômenos. 


Ao traçar um paralelo entre a Terapia Reichiana e a Terapia Holotrópica de Stanislav  Grof, Reichow (2008, p. 4) expõe que ambas apresentam o “trabalho com a respiração, o  trabalho corporal e a busca pela unidade cósmica para Reich, ou transpessoal para Grof”. Sobre  a respiração, as duas abordagens concordam que o aumento do seu ritmo e profundidade  afrouxam defesas psicológicas, possibilitando a liberação de emoções e memórias reprimidas. 


Em contrapartida, Boadella (1992) faz uma crítica direta contra o uso da hiperventilação, apesar de que afirma ter um grande respeito pelos postulados teóricos de Grof acerca de suas  Cartografias da Consciência. O autor argumenta que este processo coloca todos os principais  sistemas do corpo em disfunção devido a liberação excessiva de dióxido de carbono, podendo  chegar ao ponto de ativar psicoses latentes e acarretar em consequências drásticas. Uma  possibilidade de conciliar estes sistemas, seria seguindo a instrução de Reichow (2008) para  inserir esta técnica apenas no final da terapia, após o desencouraçamento dos primeiros  segmentos. Isto evitaria o risco de acentuar os bloqueios presentes nos seguimentos superiores  devido ao aumento da carga energética causada pela prática da Respiração Holotrópica. 


Os resultados expostos neste artigo apresentam a mais diversa gama de instruções para  prática de exercícios respiratórios, tais como: respiração lenta e profunda (CHICAYBAN;  MALAGRIS, 2014), respiração profunda (GRANER; COSTA; ROLIM, 2010), pranayama  kapalabhati e breath awareness (MENEZES; BIZARRO; TELES, 2013), inspiração lenta e  profunda com retenção do ar por 5 segundos, sucedida por uma expiração lenta (LUIZ, 2011),  pranayamas (CAMPAGNONE, 2013), respiração controlada de 6 ciclos por minuto e  meditação mindfulness (SBISSA, 2014), respiração pelas narinas com contenção do ar por 2  segundos (LOZANO, 2016), inspiração de 3 segundos, contenção de 3 segundos e inspiração  em 6 segundos (KINK ET AL., 2007; KING ET AL., 2011), respiração lenta diafragmática com  relaxamento da musculatura abdominal e meditação mindfulness (CARDOSO, 2013), respiração  contínua e acelerada por um período considerável de tempo (LATTERZA ET AL., 2014).  Apesar das diferenças, um aspecto comum entre a maioria das possibilidades apresentadas está  em sua combinação com exercícios musculares ou de controle voluntário da atenção. 

Neves Neto (2011) explica que o objetivo da aplicação é o que molda a escolha da  estratégia ou instrução. Exercícios orientados para ampliação da consciência e atenção  costumam estar ligados a modelos como mindfulness ou respiração consciente. A regulação do  SNA e redução do estresse costumam estar vinculados à respiração diafragmática. Além destes  ainda há exercícios coadjuvantes de outras técnicas de relaxamento, como o relaxamento  muscular progressivo. Sbissa (2014) explica sua escolha pela respiração controlada de 6 ciclos  por minuto, por estar vinculada a estudos que concordam sobre sua capacidade de levar o  organismo a uma coerência cardiorrespiratória. Além disso, a proporção 1:2 entre inspiração e  expiração valoriza a atividade parassimpática, reduzindo a frequência cardíaca e aumentando a  VFC. 


Enquanto ferramenta da psicologia corporal, a respiração “acompanha todas as técnicas  destinadas a liberar as tensões específicas em determinadas partes do corpo” (BOADELLA,  1992, p. 20), tendo como objetivo dissolver os bloqueios que impedem o livre fluxo dos movimentos do organismo. Tal processo restabelece o padrão respiratório pleno e unitário que  envolve todo o corpo e que acompanha a relação saudável e racional entre as pessoas e o  ambiente. Desta forma, a técnica respiratória é utilizada como ferramenta para a restauração de  sua própria funcionalidade, ou seja, para recuperação da condição de respiração sadia a que  todos os indivíduos neuróticos não se permitem entregar. Sua forma de utilização poderá ser  moldada de acordo com o objetivo do trabalho, corrigindo distúrbios de padrões respiratórios  deficitários ou fragmentados. Boadella (1992) ressalta que há diferentes padrões neuróticos de  respiração, como o padrão inspiratório crônico do tórax, super contenção ou deflação do  abdômen e respiração peitoral e abdominal superficiais. Algumas pessoas estão tão acostumadas  com este nível de deficiência que necessitam de um trabalho gradual para aprenderem a tolerar  níveis mais elevados de vitalidade. Por conta disso, é muito importante que o psicólogo saiba  reconhecer as necessidades do paciente em relação a inspiração ou expiração, sendo estas  funções intrínsecas aos estados de retenção e liberação emocionais. 


Apesar dos inúmeros benefícios apontados durante a construção deste artigo, alguns  autores presentes nos resultados da pesquisa também apresentam possíveis riscos relacionados a  práticas respiratórias inadequadas. Sbissa (2014) relata que algumas técnicas meditativas e  respiratórias podem desencadear episódios maníacos ou de psicose em pacientes com  vulnerabilidade psicológica e com sintomas psiquiátricos. O pesquisador também apresenta a  possibilidade de despersonalização e sinais semelhantes aos da epilepsia, vivenciados como  experiências vibratórias e paranormais. Neves Neto (2011) expõe que algumas técnicas podem  induzir a estados de ansiedade por levarem o praticante a alguma forma de exposição  introspectiva, de consciência corporal de estados de tensão antes não percebidos, ou ainda a  sensação de perda de controle e de estados alterados de consciência. Dentro da psicologia  corporal, Boadella (1992) relembra que Reich não aconselhava “terapias respiratórias” casuais,  pois uma liberação rápida da respiração inibida poderia alterar a consciência e inundar o  organismo com mais sensações do que ele poderia suportar, podendo chegar ao ponto de  precipitar reações psicóticas. Em alguns destes casos, o sujeito poderia sentir as correntes  vegetativas como correntes elétricas aterrorizantes ou sensações messiânicas de contato  sobrenatural, sem estabelecer qualquer contato entre estas sensações e a realidade ou o mundo  externo. 


Em várias das bibliografias apresentadas nos resultados desta pesquisa, o trabalho  respiratório é utilizado ou indicado como possível técnica complementar a ser agregado por  diferentes áreas da saúde ou até mesmo como uma forma alternativa de manejo de sintomas de  estresse fora do contexto psicoterapêutico e sem a necessidade de supervisão profissional. 

Neves Neto (2011) justifica esta postura devido ao baixo custo e segurança relativa destas  técnicas. Boadella (1992) frisa a importância de garantir que a liberação da corrente vegetativa,  causada por este tipo de trabalho, possa ser transformada em movimento e compartilhada com o  mundo externo. Neste contexto ele explica que há diferença entre a expressão emocional e a  comunicação, sendo esta última essencial para elaboração do conteúdo emergente. A  Comunicação é caracterizada por interação e reciprocidade, o que exige a presença de outra  pessoa que seja capaz de responder de alguma forma à vivência que se apresenta. Este autor  aponta que a expressão sem comunicação é o que pode estar acontecendo em muitas terapias  catárticas. 


Por não obter êxito na redução da pressão arterial dos integrantes de seu estudo através  do treino restrito de relaxamento muscular e respiração lenta e profunda, Chicayban e Malagris  (2014) indicam a implementação de estratégias de intervenção psicossociais paralelas ao seu  próprio plano. Nos experimentos desenvolvidos por Luiz (2011), King et al. (2007) e King et al.  (2011) o uso do trabalho respiratório está enquadrado dentro de um protocolo psicológico.  Campagnone (2013) expõe como uma grande vantagem o fato de um professor de Yoga ser  graduado em psicologia e possuir embasamento técnico para dar acolhimento e ajudar seus  alunos na elaboração dos conteúdos emergentes. Neves Neto (2011) vê a necessidade de um  estudo conjunto entre a medicina e a psicologia sobre os efeitos psicofisiológicos destas  práticas. Considerando as recomendações destes autores e os riscos expostos anteriormente,  compreende-se que o acompanhamento de um profissional qualificado durante as práticas de  técnicas respiratórias seja, no mínimo, uma grande vantagem frente a sua prática de forma  isolada ou descontextualizada, principalmente em exercícios destinados a introspecção e  alteração da consciência. 


Sabendo que, no contexto da Psicologia Corporal, a limitação da respiração é utilizada  inconscientemente como forma de repressão de sensações e sentimentos, este processo  fisiológico acaba sendo tomado como uma expressão da espontaneidade ou de condicionamento  de caráter, podendo ser um indicador de estados de bem-estar, tensão, desconforto, pressão e  intranquilidade (BOADELLA, 1992). Como a incapacidade de respirar de forma natural e plena  é tomada como o principal obstáculo para se recuperar a saúde emocional, a estimulação da  respiração e as inspirações profundas podem ser utilizadas para levar o paciente à percepção de  sua contenção e ativar sentimentos e sensações que permaneciam reprimidos por serem  dolorosos ou ameaçadores de mais. Porém, o simples exercício respiratório não é capaz de  restaurar o estado de espontaneidade e o livre fluxo da energia no organismo, pois as próprias  técnicas representam uma forma de controle que vai contra o real objetivo de abandonar-se à respiração ao invés de fazê-la. Cabe então ao terapeuta ajudar a pessoa a fazer contato com todo  este conteúdo reprimido, aceitá-lo e se entregar a estes sentimentos, sensações e emoções dentro  de um ambiente de segurança e acolhimento, onde o paciente possa perceber que, ao entregar-se  verdadeiramente aos seus sentimentos, ele é capaz de tomar posse de suas ações. Sempre que o  indivíduo se permite a este tipo de vivência, a tensão que mantém seu padrão de contenção é  diminuída e, por consequência, há um aumento de energia do organismo e um aprofundamento  natural de sua respiração. A cada um destes momentos de cura, ser e sentir deixam de  representar o mesmo perigo que anteriormente. (LOWEN, 1986). 



Chicayban e Malagris (2014) recomendam a replicação de seu estudo com aumento do  tamanho da amostra. Graner, Costa e Rolim (2010) apontam a necessidade de elaboração de  estudos de redução da dor e sofrimento adequados às diferentes fases de doenças oncológicas.  Menezes, Bizarro e Teles (2013) comentam que as pesquisas sobre o Yoga no Brasil ainda são  muito escassas e indicam a necessidade do desenvolvimento de estudos que testem seus efeitos  em diferentes grupos clínicos. Lozano (2016) recomenda a realização de novos estudos sobre  meditações com foco na respiração, considerando que diferentes técnicas podem levar a  resultados singulares. King et al. (2011) percebe a necessidade de replicação de seus estudos  abrangendo uma amostra mais homogênea. Neves neto (2011) sugere a parceria entre medicina  e psicologia nos estudos sobre os efeitos psicofisiológicos da prática de técnicas respiratórias.  Cardoso (2013) aponta a necessidade de elaboração de pesquisas que relacionem o manejo do  estresse com a contagem das células CD4 em pacientes em diferentes estágios da infecção pelo  vírus HIV, dentro da realidade brasileira. Latterza et al. (2014) sugere o desenvolvimento de  estudos controlados, com um tamanho de amostra adequado e composta por indivíduos com  diagnósticos psicoemocionais homogêneos, acerca do uso da Respiração Holotrópica, Técnica  de Renascimento e Terapia Regressiva Integral. Estes dados demonstram que ainda há um vasto  campo de pesquisa da relação entre respiração e psicologia, principalmente quanto a  aplicabilidade específica destas técnicas e a protocolação de suas metodologias.  


Conclusões 

O presente estudo demonstrou a relevância do trabalho respiratório – utilizado como  ferramenta de intervenção psicoterapêutica – enquanto prática da TCC e da Psicologia  Transpessoal. Verificou-se também sua aplicabilidade como ferramenta complementar a ser  utilizada por outros profissionais da saúde, principalmente no que tange ao manejo do estresse.

Comprovou-se sua capacidade de modulação do SNA, o que o caracteriza como método  de recuperação ou manutenção da homeostase psicofisiológica do organismo. Sua prática está  vinculada a estados mentais de atenção e relaxamento, além do aumento da VFC. Sua utilização  demonstrou resultados positivos na redução da frequência cardíaca, da quantidade e níveis dos  sintomas de estresse, depressão, fadiga, tensão, confusão mental e raiva, além de integrar  programas da TCC destinados ao tratamento de crianças obesas e Transtorno de Pânico do tipo  respiratório. 


Em qualquer um dos contextos apresentados, seu potencial de cura é explorado com o  objetivo de elevar o nível de bem-estar de seu praticante, seja ele físico, psicológico, social e/ou  espiritual. Dependendo da abordagem e da metodologia utilizadas, sua aplicabilidade é proposta  como forma de desenvolvimento da consciência corporal, da consciência emocional, da  capacidade de autorregulação do organismo e/ou de alcançar estados holotrópicos de  consciência. 



A escassez de estudos experimentais, a pluralidade de técnicas e a diferença entre os  contextos em que o trabalho respiratório é utilizado apontam a necessidade de pesquisas para a  sistematização desta ferramenta. Propõe-se a elaboração de estudos sobre os efeitos  psicofisiológicos de diferentes técnicas respiratórias e os resultados de sua aplicação como  forma de prevenção ou tratamento de psicopatologias. Para tal, ressalta-se a importância da  construção adequada da amostra de estudo, quanto a sua proporção e homogeneidade.  


Referências 

BAKER, Elsworth Fredrick. O labirinto humano: causa do bloqueio da energia sexual. 4.ed.  Tradução de Maria Sílvia Mourão Netto. São Paulo: Summus, 1980, 322p. 

BOADELLA, David. Nos caminhos de Reich. Tradução de Elisiane Reis Barbosa Rebelo,  Maria Silvia Mourão Netto e Ibanez de Carvalho Filho. São Paulo: Summus, 1985, 339p. 

BOADELLA, David. Correntes da vida: uma introdução à biossíntese. 2.ed. Tradução de  Cláudia Soares Cruz. São Paulo: Summus, 1992, 198p. 

BOMBARDELLI, Pablo; PORTO, Marcelo. Técnicas do yoga como ferramenta convergente da  vegetoterapia-caracteroanalítica, 2016, In: VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.)  CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS, 21., 2016, Curitiba.  Anais...Curitiba: Centro Reichiano, 2016, p. 119-129. Disponível em <  http://www.centroreichiano.com.br/artigos/Anais_2016/2016_pdf/ANAIS_Congresso_2016.pdf 

>. Acesso em 30 jan. 2017.

CAMPAGNONE, Larissa Zanelato. Aproximações entre a psicoterapia e a yoga. 2013. 79f.  Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo /  PUC-SP, São Paulo, 2013. Disponível em: <  https://sapientia.pucsp.br/bitstream/handle/15315/1/Larissa%20Zanelato%20Campagnone.pdf>  

Acesso em 23 abr. 2017.  

CARDOSO, Gabriela Santos Stilita. Manejo de estresse para pacientes com HIV / AIDS por  meio da TCC. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio de Janeiro, v.9, n.1, jun. 2013.  Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808- 56872013000100005&lng=pt&nrm=iso> Acesso em 18 abr. 2017. 

CHICAYBAN, Livia de Matos; MALAGRIS, Lucia Emmanoel novaes. Breathing and  relaxation training for patients with hypertension and stress. Estudos de Psicologia, Campinas,  v.31, n.1, p. 115-126, jan-mar 2014. Disponível em:  <http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v31n1/a12v31n1.pdf> Acesso em 10 mar. 2017. 

GRANER, Karen Mendes; COSTA JUNIOR, Anderson Luiz; ROLIM, Gustavo Sattolo. Dor  em oncologia: intervenções complementares e alternativas ao tratamento medicamentoso.  Temas em Psicologia, Ribeirão Preto, v.18, n.2, 2010. Disponível em: <  http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 

389X2010000200009&lng=pt&nrm=iso> Acesso em 18 abr. 2017. 

KING, Ana Lucia Spear; VALENÇA, Alexandre Martins; MELO-NETO, Valfrido Leão;  NARDI, Antonio Egidio. A importância do foco da terapia cognitivo comportamental  direcionado às sensações corporais no transtorno do pânico: relato de caso. Revista de  Psiquiatria Clínica, São Paulo, v.34, n.4, 2007. Disponível em: <  http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-467568>. Acesso em 06 mai 2017. 

KING, Ana Lucia Spear; VALENÇA, Alexandre Martins; MELO-NETO, Valfrido Leão;  FREIRE, Christophe; MEZZASSALMA, Marco André; OLIVEIRA, Adriana Cardoso;  NARDI, Antonio Egidio. Efficacy of a specific model for cognitive-behavioral therapy among  panic disorder patients with agoraphobia: a randomized clinical trial. Revista da Associação  Paulista de Medicina, São Paulo, v.129, n.5, 2011. Disponível em: <  http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-604793>. Acesso em 06 mai 2017. 

LATTERZA, Andréa Romero; KADAMOTO, Harry Tadashi; OLIVEIRA, Acary Souza Bulle;  FONTES, Sissy Veloso. Técnicas da psicologia transpessoal que induzem aos estados  ampliados da consciência como cuidado integrativo: revisão da literatura. Revista da  Universidade Ibirapuera, São Paulo, v.8, p. 47-55, jul-dez 2014. Disponível em: <  http://seer.unib.br/~unib5/seer/seer_unib/index.php/rev/article/view/71> Acesso em 02 mai.  2017. 

LOWEN, Alexander. O prazer de estar cheio de vida. In\: Prazer: uma abordagem criativa da  vida. 6.ed. Tradução de Ibanez de Carvalho Filho. São Paulo: Summus, 1984, p. 29-54. 

LOWEN, Alexander. Medo da Vida: caminhos da realização pessoal pela vitória sobre o medo.  9.ed. Tradução de Maria Sílvia mourão Netto. São Paulo: Summus, 1986, 254p. 

LOWEN, Alexander. A espiritualidade do corpo: bioenergética para a beleza e harmonia.  Tradução de Paulo Cesar de Oliveira. 12.ed. São Paulo: Pensamento, 2007, 229p.

LOZANO, Mirna Delposo. O efeito do controle respiratório em variáveis eletrofisiológicas da  atenção. 2016. 49 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) – Universidade Metodista  de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2016. Disponível em:  <http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/1466/2/Mirna%20Delposo%20Lozano.pdf>  

Acesso em 10 mar. 2017. 

LUIZ, Andreia Mara Angelo Gonçalves. Efeitos de um programa de intervenção cognitivo comportamental em um grupo para crianças obesas. 2010. 111 f. Tese (Doutorado em Ciências,  Área: Psicologia) – Faculdade de Filosofia, Ciências, e Letras de Ribeirão Preto da USP, São  Paulo, 2011. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde 21102013-160131/pt-br.php>. Acesso em 03 mai. 2017. 

MENEZES, Carolina Baptista; BIZARRO, Lisiane; TELES, Shirley. Yoga, psychophysiology,  and health: studies from the Yoga Department Research, Patanjali University, India. Temas em  Psicologia, Ribeirão Preto, v.21, n.2, 2013. Disponível em: <  http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2013000200009>  

Acesso em 19 abr. 2017. 

NAVARRO, Federico. Caracterologia pós-reichiana. Tradução de Cibele dos Santos Coelho.  São Paulo: Summus, 1995, 93p. 

NEVES NETO, Armando Ribeiro. As técnicas de respiração para a redução do estresse em  terapia cognitivo-comportamental. Arquivos Médicos dos Hospitais e da Faculdade de Ciências  Médicas da Santa Casa de São Paulo. v.56, n.3, p. 158-168, 2011. Disponível em:  <http://www.fcmsantacasasp.edu.br/images/Arquivos_medicos/2011/56_3/AR09.pdf> Acesso  em 11 abr. 2017. 

PEREIRA, Christiano de oliveira. Análise bioenergética além do yoga: saúde integral rumo à  espiritualidade. 2010. 43f. Monografia (Especialização em Psicologia Corporal) – Centro  Reichiano, Curitiba, 2010. Disponível em:  <http://www.centroreichiano.com.br/artigos/Monografias/PEREIRA_Christiano_de_Oliveira.pd 

f >. Acesso em 17 mai. 2017. 

REICH, Wilhelm. A linguagem expressiva da vida. In\: Análise do caráter. 3.ed. Tradução de  Ricardo Amaral do Rego. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 329-366. 

REICHOW, Jeverson Rogério Costa. Respiração, energia e consciência. In: VOLPI, José  Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.) CONVENÇÃO BRASIL/LATINO AMÉRICA, 13. 2.,  2008, Curitiba. Anais...Curitiba: Centro Reichiano, 2008. Disponível em: <  http://www.centroreichiano.com.br/artigos/Anais%202008/Jeverson%20Rog%C3%A9rio%20C 

osta%20Reichow.pdf>. Acesso em 15 mai. 2017. 

SBISSA, Pedro Paulo Mendes. Efeito da respiração controlada e da meditação mindfulness  sobre a variabilidade da frequência cardíaca. 2014, 299 f. Tese (Doutorado em Psicologia) -  Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florianópolis, 2014. Disponível em: 10 abr.  2017. <http://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UFSC_752dcddc73c1a4be133322827fa760e3>.  Acesso em 20 abr. 2017. 

SIEGEL, Pamela; TURATO, Egberto Ribeiro. A possible dialogue between analytical  psychology and complementary and alternative medicine. Temas em Psicologia, Ribeirão Preto,  v.24, n.4, dez 2016. Disponível em: < 

389X2016000400018&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 03 mai. 2017. 

VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara. Reich: da vegetoterapia à descoberta da energia  orgone. Curitiba, PR: Centro Reichiano, 2003, 144p.


Logo-Respiração Terapêutica-01.png

Todos os direitos reservados por Respiração Terapêutica
Desenvolvido por BAUM MARKETING

  • Facebook
  • Instagram
  • YouTube
bottom of page