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Idade biológica aumenta com o estresse, mas pode ser revertida, aponta estudo

89-2023


Saúde das células e tecidos humanos pode ser influenciada por diversos fatores, como doenças e estilo de vida


Lucas Rocha da CNN/São Paulo

14/05/2023


Cientistas reuniram dados de diferentes contextos que influenciam no estresse fisiológico graveGetty Images/FG Trade


A idade biológica, que reflete a saúde das células e dos tecidos, pode ser influenciada por diversos fatores, incluindo doenças, estilo de vida e exposições ambientais. Um novo estudo sugere que o alívio do estresse pode contribuir para restaurar a idade biológica.

Em modelos pré-clínicos e em humanos, o estresse do organismo causado por cirurgias, gravidez e quadros graves de Covid-19 aumentou os sinais de idade biológica, que foram revertidos após a recuperação.

Os resultados da pesquisa, liderada por especialistas do Brigham and Women’s Hospital, foram publicados na revista científica Cell Metabolism. Os pesquisadores sugerem que os achados têm implicações para o teste de medicamentos antienvelhecimento.

“Tradicionalmente, pensava-se que a idade biológica aumentava cada vez mais, mas levantamos a hipótese de que na verdade isso é muito mais dinâmico”, disse o principal autor Jesse Poganik, pesquisador da Divisão de Genética de Brigham. “O estresse severo pode desencadear o aumento da idade biológica, mas se esse estresse for de curta duração, os sinais de envelhecimento biológico podem ser revertidos”, detalha.

Os cientistas reuniram dados de diferentes contextos que influenciam no estresse fisiológico grave. Em um experimento, eles examinaram amostras de sangue de pacientes idosos submetidos a cirurgias de emergência, analisando amostras coletadas imediatamente antes da cirurgia, alguns dias após o procedimento e antes da alta do hospital.

A equipe também analisou amostras de sangue de camundongos e de pessoas grávidas, observando amostras das fases inicial e final da gravidez e após o parto. E em uma terceira análise, a equipe examinou amostras de pacientes com teste positivo para Covid-19 e internados em unidades de terapia intensiva (UTI).

A equipe usou “relógios biológicos” para determinar a saúde das células e tecidos. Os relógios biológicos medem os níveis de alterações moleculares no DNA que podem indicar um aumento no risco de morbidade e mortalidade. Esses modelos são amplamente utilizados no campo de pesquisa do envelhecimento.

Em todas as análises, os pesquisadores viram indícios de que a idade biológica aumentou em situações de vários estresses fisiológicos, mas foi preservada quando a situação estressante foi resolvida.

Na análise de pacientes submetidos a cirurgias de grande porte, por exemplo, a equipe observou que os sinais de idade biológica aumentaram em pessoas que tiveram que reparar uma fratura de quadril, mas retornaram à linha de base 4 a 7 dias após o procedimento. O mesmo padrão não foi observado entre os pacientes que receberam outras cirurgias não traumáticas.

Nos estudos sobre o efeito da gravidez na idade biológica, os pesquisadores observaram um padrão consistente em humanos e camundongos: a idade biológica aumentou durante a gravidez, até o momento do parto. Essa mudança atingiu o pico no momento do parto e foi resolvida no pós-parto.

Entre os pacientes internados devido à infecção pelo coronavírus, houve um aumento na idade biológica que foi parcialmente revertido no momento da alta da UTI para pacientes do sexo feminino. Mas a equipe não observou uma mudança significativa entre os homens internados.

Os autores observam que os relógios utilizados na pesquisa são biomarcadores – sinais que podem refletir a idade biológica ou podem ser impulsionados por outros fatores que ainda não foram identificados. Eles também destacaram que nem todos os indivíduos recuperam sua idade biológica na mesma taxa ou na mesma extensão.

Nesse sentido, entender como e por que a idade biológica aumenta e como melhorar a recuperação serão áreas importantes de foco para estudos futuros. Os pesquisadores avaliam que o trabalho aponta para uma nova compreensão da natureza do envelhecimento biológico, com implicações para o estudo de intervenções antienvelhecimento.

“Nossas descobertas desafiam o conceito de que a idade biológica só pode aumentar ao longo da vida de uma pessoa e sugerem que pode ser possível identificar intervenções que possam retardar ou mesmo reverter parcialmente a idade biológica”, disse o coautor Vadim Gladyshev, pesquisador da Divisão de Genética de Brigham.

“Quando o estresse foi aliviado, a idade biológica pode ser restaurada. Isso significa que encontrar maneiras de ajudar o corpo a se recuperar do estresse pode aumentar a longevidade”.


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